Venda de Usina Vale do Paranaíba (João Lyra) é debatida em audiência pública

Os juízes Leandro de Castro Folly, Phillippe Melo Alcântara e José Eduardo Nobre Carlos conduziram, nesta segunda-feira (16), audiência para discutir a proposta feita pelo Grupo Cambuí, de Minas Gerais, para compra da Usina Vale do Paranaíba, pertencente à Massa Falida da Laginha Agroindustrial, do Grupo João Lyra. A reunião ocorreu no Tribunal de Justiça de Alagoas e contou com a presença de credores, leiloeiros e representantes dos dois Grupos.

O Grupo Cambuí propôs pagar 58% do valor da última avaliação do bem, o que daria algo em torno de R$ 82 milhões. Metade seria dada à vista e a outra metade paga em cinco anos. “A proposta da empresa se relaciona à última avaliação, que apontou o valor da usina como sendo de cerca de R$ 141 milhões. Em 2013, apresentamos proposta de R$ 211 milhões, justamente o valor da avaliação feita na época, mas até a presente data isso nunca foi decidido no processo”, explicou.

Para Paulo Scaff, superintendente da Superbid, empresa encarregada de realizar os leilões dos bens da Massa Falida da Laginha, a proposta de R$ 80 milhões ficou bem abaixo do que a usina vale. Ainda segundo ele, é importante ouvir outras empresas interessadas na compra. “Existem seis possíveis interessados nessa usina. Daí a importância de se realizar o leilão, que é quando todos, em igualdade de condições, podem participar efetivamente e fazer suas ofertas”.

O superintendente disse também que, se a proposta de compra for rejeitada, o leilão da usina pode ocorrer já na segunda quinzena de novembro. “Esperamos que seja ratificada a venda da usina pelo leilão. Se o Grupo Cambuí quiser fazer uma oferta, que o faça dentro do leilão. O objetivo é trazer o maior número de compradores para que se maximize o preço. Isso trará mais resultados para o falido, credores e todos os envolvidos”, avaliou.

O Ministério Público de Alagoas também se mostrou favorável a que a usina, localizada no município de Capinópolis (MG), seja vendida por leilão, e não de maneira direta. “A proposta de venda direta é possível, mas precisa ser manifestamente vantajosa, o que a meu ver não é. O posicionamento do MP é pela realização do leilão, que é uma modalidade mais transparente”, destacou a promotora de Justiça Eloá de Carvalho Melo.

Os juízes que estão à frente do processo da Massa Falida devem decidir sobre a proposta até o final desta semana. “Vamos deliberar sobre qual vai ser o próximo passo. Se a proposta vai ser submetida à apreciação da Assembleia Geral de Credores ou se prosseguiremos com a venda por meio do leilão. Até o final desta semana a decisão constará nos autos”, afirmou o juiz Phillippe Melo.

0 Comments