Leilão de usinas do Grupo João Lyra inicia nesta sexta-feira e desperta interesse

O leilão das usinas Vale do Paranaíba e Triálcool, pertencentes à Massa Falida da Laginha Agroindustrial S/A, do Grupo João Lyra, iniciam nesta sexta-feira (24), cuja primeira praça encerra no próximo dia 30. A expectativa dos juízes responsáveis pelo processo é que o certame seja bem sucedido. O valor total das duas empresas é R$ 429.401.700,00.

Segundo o juiz José Eduardo Nobre Carlos, da 1ª Vara de Coruripe, a procura pelos bens a serem leiloados tem sido grande, seja por causa das empresas em si, seja pela divulgação do certame, feito, inclusive, em grandes eventos agrícolas.

“Se o leilão fracassar, o que a gente não acredita porque foi muito divulgado, inclusive nos maiores eventos agrícolas do mundo, num dos maiores eventos de cana-de-açúcar do mundo, a gente vai sentar com a administração inicial e com o leiloeiro para ver os próximos passos, ou lançar novo edital, avaliando as circunstâncias de mercado, ou esperar mais um pouco. Da mesma forma do leilão da sede, que fracassou após duas oportunidades sem licitante”, explica o juiz.

Além da procura in loco, a visitação aos lotes do leilão das usinas Vale do Paranaíba e Triálcool – ambas em Minas Gerais – no site onde os lances serão dados também possui boa quantidade. Até às 17h dessa quinta-feira (23), cada uma contava com mais de 1.200 visitas.

A Vale do Paranaíba é está cotada em R$ 206.358.000,00 e a Triálcool em R$ 223.043.700,00.

Se os lances não atingirem os valores mínimos, terá início a segunda praça, que se segue até 7 de dezembro. Nela, só serão aceitas propostas não inferiores a 60% do valor dos ativos.

Além de José Eduardo Nobre Carlos, são juízes no processo Leandro de Castro Folly e Marcella Waleska Costa Pontes de Mendonça. Inicialmente, o magistrado Phillippe Melo Alcântara Falcão estava no processo, mas se afastou para cursar mestrado.

PROCESSO

O processo da Massa Falida da Laginha Agroindustrial S/A, cujo valor é superior a R$ 2 bilhões, possui 65 mil folhas. Mesmo sendo parte de poderoso grupo econômico de Alagoas, o juiz José Eduardo Nobre Carlos diz que as dificuldades encontradas foram apenas de ordem técnica.

“Desde que assumimos o processo, ele não parou. A gente estabeleceu uma nova sistemática de trabalho, tentando impulsioná-lo ao máximo, valorizando os ativos para pagar os passivos. Afinal, essa é a ideia da falência: vender e pagar”, relata o magistrado.

PRIORIDADE

Ainda segundo explicação do juiz, o dinheiro arrecadado com a venda das usinas terá como prioridade o pagamento de trabalhadores “ou outras classes de credores como privilégio legal”.

José Eduardo Nobre Carlos adianta que o valor arrecadado não vai pagar a dívida do Grupo João Lyra, mas ele não sabe precisar que percentual será coberto.

“A ideia é pagar os credores com privilégio legal: trabalhadores, agentes do trabalho e outras classes de credores que, por força da Lei de Falências, tem preferência para receber prioritariamente. É difícil ponderar a porcentagem [em relação à dívida] porque a gente não sabe o valor da arrematação”, diz o juiz.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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